quinta-feira, 27 de junho de 2013

Pontes

De longe, olhava o castelo com um rio límpido na frente. Imaginava como seria o caminho até o local que tanto sonhava conhecer. A distância era longa, mas a vontade de estar lá e conferir de perto todas os detalhes do lugar era maior.

Então, num dia claro de verão resolveu que o momento havia chegado. Logo que saiu percebeu que para chegar ao castelo era preciso atravessar várias pontes. Pensou: 'não é perigoso, vai ser mais fácil do que imaginei. chegarei antes do esperado'.

Ela estava enganada.

O caminho na primeira ponte parecia fácil no começo, mas o musgo no chão de concreto a fez cair. Escorregou e quando menos percebeu estava prostrada e triste. Mas.. passados alguns minutos.. estava de pé novamente. Por algum tempo, a caminhada foi bem mais lenta. O medo de cair novamente a fazia ir com cuidado e nunca mais deixava pegadas por onde passava.

Atravessou a primeira ponte.

Com o sucesso da conclusão, caminhou alguns quilômetros até o segundo obstáculo. O chão desta vez era de madeira. Todas as pessoas da pequena vila aonde morava haviam avisado que a ponte de madeira era a mais traiçoeira de todas. Ela estava tão confiante em chegar ao castelo - neste momento já minimizava os efeitos do primeiro tombo - que começou a andar como nunca. Passos fortes e rápidos. Até que uma madeira solta a fez simplesmente cair de joelhos. Dessa vez, a queda foi feia. Joelho cortado e muito sangue. As lágrimas eram inevitáveis. A recuperação demorou a chegar. Pensou em desistir. Quem não pensaria? O caminho era difícil demais pra ela. "O castelo não deve ser para o meu bico", balbuciava entre o choro. Após horas e horas ali caída, percebeu que não poderia ficar assim. Ainda com muita dificuldade se levantou.

Dessa forma, ela atravessou a segunda ponte.

Ela ainda estava insegura com a caminhada quando, de repente, notou que havia um atalho que a faria chegar mais rápido ao castelo. A trilha parecia bem menos tortuosa e bem menos traumática do que a última. Resolveu pegar esse atalho. Caminhou, caminhou, caminhou, caminhou. E cansou. Simplesmente o tempo para ficar ali acabou. Desceu mais um pouco. Encontrou um lugar confortável para passar a noite e estava disposta a voltar para sua casa assim que o dia amanhecesse. Enterrar a vontade de conhecer o castelo e se conformar que nunca iria conseguir.

Quando o dia amanheceu, ela ouviu o barulho do rio. Não quis acreditar e ali permaneceu. Atônita. Não podia ser que o atalho estava certo. Ela caminhou tanto, tanto, tanto sem nenhuma demonstração de que ali era o lugar certo. Resolveu abortar a missão de voltar e, ao invés disso,  decidiu que iria descer mais um pouco. Desceu. E ali ficou.

Ficou porque, após tantos machucados e cansaço, havia chegado ao seu destino. Na sua frente estava o rio que a lavaria de todas as sujeiras do caminho e o castelo que tanto quis conhecer. Lágrimas nos olhos, sensação indescritível e pernas trêmulas. Era ali que ela sempre desejou estar. Era ali, no rio de águas claras e no castelo imenso, o seu lugar. Como sempre sonhou. Para sempre.