domingo, 14 de abril de 2013

Pelo que é verdadeiro..


Não gostava de bonecas, nem de brincar de casinhas e muito menos de escolinha. Seu melhor passatempo era o boomerang. Ir ao parque num dia ensolarado e jogar seu brinquedo para ter a satisfação de vê-lo lá no alto contrastando com o céu azul sem nuvens.

Por anos a fio colecionou o objeto: rosa, azul, verde, vermelho, preto, branco... repetia sempre que amava morar na sua cidade justamente pelas tardes ensolaradas e os parques. A sensação de liberdade era tudo que ela mais amava.

No começo ia jogar boomerang acompanhada de seus pais. O tempo passou quando se tornou adolescente e os amigos tomaram lugar no seu programa predileto. Não tinha jeito. Aquela menina de cabelo loiro era completamente fascinada pela brincadeira ou esporte, chame como quiser.

É clichê, mas o tempo passa. Nesse caso foi implacável. Chegou a hora de ir para faculdade. A cidade com dias lindos, céu azul, muitas árvores daria lugar a uma verdadeira selva de pedra.

Não era o momento apenas de deixar a casa dos pais, os amigos e a vida pacata de colégio para encarar uma faculdade. A mudança obrigava o abandono da prática do boomerang. Ela sabia que não conseguiria levar sua prática adiante numa cidade onde o cinza prevalece.

Arrumou as malas. Marcou despedidas: amigos, família, antigos professores.. comemorações pela nova fase. Ela estava feliz. Iria cursar arquitetura na melhor universidade do país. Era tudo mais sonhou.

Os dias foram se arrastando. Ela sabia que uma hora teria que encarar a despedida daquilo que mais lhe fez bem durante os 18 anos. Certo dia tomou coragem. Pegou todos os seus brinquedos e colocou numa caixa.

Caminhou sozinha até o parque. Abriu a caixa. Com o coração apertado, o olhar marejado.. jogou o primeiro. O segundo. O terceiro. O quarto..

Guardou o último. O rosa. O primeiro que seu pai lhe deu. Apesar do choro, ela sabia que o boomerang sempre volta.  Se eles realmente a pertenciam realmente.. eles voltariam. Como forma de lembrar disso escreveu numa árvore: “Tudo que é seu... volta”.

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