sábado, 2 de março de 2013

Caminhos tortuosos


Ainda com dificuldade de enxergar o que estava em sua frente, ela se levantou. As pernas bambas não negam o medo que ela sentia diante da situação pouco confortável. Ela estava num labirinto desconhecido. Diversas opções de caminhos, propostas, saídas que parecem levar a escapatória. 

Meio tonta, ela começa a caminhar pelo corredor principal. Escuro, estreito e com diversos desníveis que só complicaram ainda mais o começo da caminhada. Ela se sentia fraca - não sabia quanto tempo estava aprisionada. A fina chuva só piorava o frio que ela sentia. A escuridão dificultava qual rumo tomar. Caminhava em uma reta só esperando que final estivesse logo ali e ela, finalmente, conseguisse sair dali. 

A cada momento, fica desconjurando porque ela ali estava. "Logo eu, que sou tão forte, tão resolvida, tão boa, tão isso, tão aquilo..." . Só sabia culpar os outros pela sua situação. Ao revoltar-se com a situação, caminhava cada vez mais rápido e sem rumo.. a revolta fez com que ela chutasse as árvores que poderiam lhe ensinar o caminho. Sempre no controle de tudo, agora estava sozinha, sem o que e quem controlar. 

Cada chute, cada soco que dava nas paredes ou nas árvores do labirinto tentando abrir caminho lhe machucavam ainda mais. O andar ficava cada vez mais complicado. As feridas começavam a sangrar. A dor era muito grande. Ela simplesmente resolveu sentar e se conformar que estava destinada a aficar daquela maneira. "Não vou mudar, nunca. O erro não está em mim", gritava na tentativa de que alguém a ouvisse. O único retorno era o eco do seu choro, que naquele momento já era alto. 

Novamente a raiva tomou conta dela. Começou a correr enquanto a chuva aumentava. Quebrava galhos, resmungava, gritava. Ela só queria sair dali. Até que veio o tombo. Ela caiu. Prostrada, ela chorou. Mais do que isso, ela caiu em si. Viu que grande parte do que estava vivendo era sim sua culpa. Sempre exigiu mudança, mas ela nunca ofereceu nada em troca para que as transformações acontecessem. 

Só sabia cobrar, controlar, irritar, julgar e trocar papeis. Suspirou para tirar todo o peso das costas. Percebeu que ela estava no labirinto porque ela nunca aprendeu a olhar para dentro de si mesmo. Não vê que precisava passar por uma mudança. A quantidade de verbos não lhe fazia bem. Não fazia bem para aqueles que a amam. Era necessário trocar por substantivos e por adjetivos.

Era preciso trocar os verbos tão pesados por uma única qualidade: inteligência.

Somente com a parada e o exercício de olhar para dentro de si é que ela conseguiria traçar estratégia para sair daquele labirinto. É preciso sentar no paralelepípedo molhado do labirinto, encostar sua cabeça entre as árvores e refletir no que ela precisava mudar? Após todas as conclusões é necessário dar inicio ao processo de mudança. Ela sabe que isso não é fácil e muito menos simples.

Porém, a menina também tem consciência que somente com esse processo lento de mudança ela vai conseguir sair do labirinto e, finalmente, ver o Sol brilhar lá fora. E espera não terminar sozinha. 

Ao olhar para o lado, ela não estará sozinha. Alguém, aquele alguém que só ela sabe quem, estaria ao seu lado com as mãos entrelaçadas para, finalmente, viverem juntos. Para isso, ele também precisa sair do labirinto. 

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