terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Roda gigante


Há quatro anos ela não se sentia assim. A menina de cabelos loiros escorridos e olhos azuis não se esquecera da primeira vez que havia andado na roda gigante. 
Há quatro anos não sentia aquela sensação de liberdade, mas ao mesmo tempo um frio enorme na barriga em pensar o que estava por vir. O olhar ansioso pelo que lhe aguardava era o mesmo. As cenas e os questionamentos que passavam pela sua cabeça eram idênticos. Parecia um replay de tudo …
Mas ela sabia que era hora de tirar os pés do chão novamente. Precisaria subir naquela cabine enfrentar mais aquele passeio que estava pela frente. Sabia que, no fim, a vista será linda, mas e o caminho a se percorrer até o topo era o grande problema. Bem no fundo sabia do medo que lhe assombrava. Ela não admitia para ninguém - nem pra ela mesmo. 
A roda girou, a fila andou e sua vez de subir havia chegado. Vontade de desistir, jogar tudo pro alto e sair correndo. Mas ela precisava daquele passeio. Era para seu bem e para alegria de todos aqueles que acompanham seu crescimento. 
As inseguranças, medos e questionamentos de exatos quatro anos atrás são os mesmos. Ela sabe que não é mais a mesma. E sabe que quando o topo chegar, todos os sentimentos de minutos antes de abaixar a trava de segurança vão pelos ares. 
A roda gigante e a mesma. O caminho até o topo, não sabemos. 
O fato é que esta menina já está na cabine. A trava de segurança no seu lugar adequado.
A viagem vai começar e o frio na barriga não diminuiu, mas ela sabe que logo menos o medo se transformará em sorrisos.
Olha na plataforma e vê …exatamente o necessário para aquecer o coração a ponto de gerar força de continuar e, principalmente, de enfrentar. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário