quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Você é meu diamante

Nos momentos mais difíceis os diamantes surgem
Quando tudo parece ser complicado, árduo: o diamante surge

Na nossa vida não é diferente.
As pessoas especiais surgem quando estamos na mais escura caverna.
Quando você desacredita de tudo. De todos.
No momento em que o medo toma conta de você e que você não sabe mais o que será feito..

O diamante aparece.

Diamante aguenta tudo. Altas pressões, chuva, sol, tempestades...
Ele continua ali.
Brilhante, belo, intacto.

Você é assim para mim.
Quem tem me dado força pra caminhar e pra ter certeza que tudo vai acabar bem é você.
No seu colo eu encontro o melhor abrigo
O carinho de mãe, a cumplicidade de uma amiga aventureira, o afago de uma irmã.

Eu te amo, mi pequiñita.








terça-feira, 14 de setembro de 2010

Madrugada

Após perceber que seu rosto estava manchado, mais uma vez... ela resolveu.
Se levantou, caminhou em passos leves, arrastou uma cadeira sem fazer barulho, pois ele dormia no cômodo ao lado, sentou-se, sacou uma caneta.

"Querido,

Eu não serei pra você mais uma madrugada.
Na sua vida, não passo de beijos, abraços efêmeros. Suplemento de carência.
Não posso ser mais uma onda, que vem e vai. Se acaba na praia.

Cada vez que te olho, não te vejo.
Quanto mais tento te enxergar de perto, mais obstáculo você coloca.
Há meses tem sido assim.

Mas por puro egoísmo, por vontade, desejo e tudo mais que se relaciona ao simples fato de estar junto, eu me mantive aqui. Ao seu lado.

Porque apesar de todas as barreiras que nos separavam mesmo estando juntos, eu queria ficar com você. Era você que me importava. Só você.

Porém, quanto mais eu pedia passagem, mais você me jogava pra fora. Com mãos de ferro revestidas por luvas de veludo, você me escorraçava da sua vida.

Só queria estar por perto, te pedia com meus olhos, meus abraços, minhas mensagens e minha força: por favor, me deixe entrar na sua vida, estar com você de verdade, te cuidar, te colocar no colo e fazer ninar.

Mas eu gritava em silêncio. A voz não saia. Tudo que eu faço agora, pra você é em vão.

Tu não me deixa entrar. Você se fecha pra mim.

Não sei porque... um dia, quando souber a resposta, me diga.

Quero ser além de uma madrugada. Além de alguém que sacie suas vontades.
Desejo ser sua por inteira, mas o mínimo é ter você por inteiro.
Para isso é preciso abrir portas. Portas nas quais você faz questão de fechar bem na minha cara.

Por isso..por te querer, desejar demais.. quero ser dia e noite.
Não mais madrugada.

O dia em que estiver pronto para ser um dia completo, me procure

Com todo o afeto do mundo.

Linda"

Ainda sob o efeito da coragem, enxugando as lágrimas dos olhos, ela dobrou o papel sobre a mesa, levou até seu peito, o apertou como se fosse o abraço mais envolvente que já dera em seu companheiro e repousou a folha na mesa. Se levantou. Caminhou até o quarto, onde ele ainda dormia, decorou sua geografia e seus detalhes, crente de que não viria aquela imagem tão cedo, se é que tornaria a ver. Foi até ele, beijou seus lábios levemente, o que causou um sorriso singelo. Chorando, ela pegou sua bolsa e saiu pela porta silenciosamente.

Ao sair do prédio, ela viu.

O Sol já estava brilhando.

Era o fim da madrugada, inicio de um novo dia.




sábado, 28 de agosto de 2010

A viagem

"Interessante, porque nossa vida é como uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques...


Quando nascemos, ao embarcarmos nesse trem, encontramos duas pessoas que acreditamos que farão conosco a viagem até o fim. Nossos pais.
Não é verdade.
Infelizmente, em alguma estação, eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinho, proteção, amor e afeto.


Mas isso não impede que, durante a viagem, embarquem pessoas interessantes que virão ser especiais para nós. Nossos irmãos, amigos e amores.
Muitas pessoas tomam esse trem a passeio.
Outras fazem a viagem experimentando somente tristezas.


E no trem há também outras que passam de vagão em vagão, prontas para ajudar quem precisa.


Muitos descem e deixam saudades eternas.


Outras tantas viajam no trem de tal forma que, quando desocupam seu assentos, ninguém sequer percebe.


Curioso é considerar que alguns passageiros que, nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes do nosso.


Isso nos obriga a fazer essa viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com grande dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles.


O difícil é aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado, pois outra pessoa estará ocupando esse lugar.


Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques.


Sabemos que esse trem jamais volta (...) "

(Autor desonhecido)


O pior de tudo é saber que não podemos controlar a entrada e a saída das pessoas. Por mais que a gente queira, isso é incontrolável.

Não sei se isso é bom ou ruim. Ainda falta descobrir.
Por momentos, sim.. tenho recebido pessoas maravilhosas na minha vida.

O risco dessa viagem é grande. É preciso, as vezes, fechar a porta do vagão para outros. Mesmo contra sua vontade.

Mas riscos existem para serem enfrentados. Corajoso é aquele que enfrenta. Nesse ponto, me considero corajosa. Até demais. Quanto ao resto, eu nunca vou entender.

Vou conservar as pessoas que estão no meu vagão hoje e que, apesar de todos os defeitos do mundo, permanecem ao meu lado.

Outras estarão no outro vagão, logo ali, as acompanharei por pensamento e memórias.

E as que desceram (por escolha ou não) ... é a vida. Nem tudo é pra sempre.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O elo.

Tudo era deles. O mundo. O desejo. A alegria. A companhia. O encaixe. O comum. O diferente.
Viviam num mundo paralelo.
Era totalmente louco. Desvirtuava de tudo o vivido até ali. Era intenso.
Beijos. Abraços. Silêncios. Olhares que se completavam. Mãos que se afagavam.
Esse era o mundo que pertenciam a partir daquela tarde fria em que se conheceram.

O mundo se tornou tão completo e necessário que eles resolveram criar um universo deles. Sim, como nas histórias envolventes que passam nos canais de TV a cabo. Dessa forma, arrumaram um apartamento. Ali, naquele pequeno local alugado no centro de São Paulo, eles viveriam o que lhe estava destinado: um conto intenso de amor.

Se encontravam todos os dias. Em horários alternados, quando dava. Rotina não tinha espaço naquele relacionamento. Mas sempre dava para arrumar um tempo. Pois para aquele sentimento não havia barreiras, não havia obstáculos. O que interessava era estar perto, pois só assim, eles se sentiam completo.

Como num dia corriqueiro com o Sol iluminando a cabeça das pessoas , que estão ocupadas demais para admirá-Lo, ela foi esperá-lo no apartamento. No horário marcado. Sua boca estava seca. Suas mãos ansiosas pelo toque quente e adocicado dele. Seus olhos buscavam o amado. O seu corpo pedia pelo calor e pelo abraço confortador.

Assim como o tic-tac do relógio parecia mais intenso com o passar das horas, seu coração começava a bater cada vez mais e mais rápido. Parecia que ia sair pela boca.

Cerca de uma hora e meia depois do horário marcado, ele chegou. Meio disperso. Estanho. Mas com o mesmo olhar e as mesmas carícias que o corpo dela já conhecia bem. Nada de anormal, um atraso qualquer.

Mas, com o escorregar das semanas, ela foi vendo que aquele fato do atraso não era algo incomum. Era um sinal e algo mudou . Sim, algo de fora o atraía mais do que todo mundo perfeito que eles haviam criado. Ele estava longe, disperso.

Ela havia perdido algo no tempo, o que culminou no afastamento dele.
Nunca antes havia percebido isso.
Não entendia onde tinha errado, o porque de tudo aquilo.
O fato é que ele queria ir embora. Não desejava mais pertencer totalmente aquele mundo.
Ele estava desejando o mundo externo.
E o que ela poderia fazer?

Pois é, não tinha escolha.
Apesar do olhar nunca ter mudado. Dos abraços nunca terem esfriado. Dos desejos nunca terem morrido. Da boca que continuava seca. Do toque quente.

Mas nada, nada mais o prendia junto dela. Muita coisa, nele,em relação a ela, não havia mudado. Ouvira isso da boca dele, mas preferia não pensar. Ali não era momento de pensar. Se ela fizesse isso, nunca teria coragem. Agir era preciso.

Os dias que sucederam depois da conversa que os dois tiveram na sala do apartamento, que antes presenciava sorrisos e beijos, foram complicados. Ela voltava ao lugar e aquilo era uma forma de auto flagelo.

Um dia ela chegou a encontrá-lo. Não entendia porque ele havia voltado ali. De um susto, a alegria, da alegria a tristeza. Sabia que nada ali mais a pertencia, mesmo sentindo que sim. Ela sabia que não.

Mas desse dia, ela tirou uma certeza.
O mundo podia girar, tudo passar, mas eles estariam ligados sobrenaturalmente de algum jeito.
Independente de tudo, aquilo foi um grande amor.

Por isso, ficou decidido que o apartamento continuaria ali. O aluguel seria bancado pelos dois. Nada, nada seria modificado. Os livros não seriam removidos, os cds que antes embalavam os encontros e que ainda permaneciam jogados pelo chão..
A cama.. tudo continuaria da forma como eles deixaram.
A diferença é que a porta estaria trancada e aquele universo ficaria no passado, isolado na selva de pedra paulistana.

Ele finalmente poderia se dedicar totalmente ao que atraía no mundo externo.
E ela, romântica por essência, continuaria sua vida apostando nos novos amores, que naquela altura já apareciam.

O elo entre eles, o apartamento, tudo continua ali.
Eles sabem que a ligação é inquebrável, apesar da distância imposta.
O carinho, o afago, a preocupação, o desejo serão os mesmos.
Como da primeira vez.
O tempo vai passar, o mundo girar, mas os dois sempre vão pertencer um ao outro, de algum jeito.

Os eternos amantes sabem como tudo entre eles foi no passado e como é no presente. Mas nenhum dos dois aposta como será o futuro. Só o tempo dirá..




segunda-feira, 28 de junho de 2010

O alpinista

Era um alpinista destemido e cheio de vitalidade
Pronto para o que der e vier
De repente, num dia normal, se deparou com mais um desafio
Aquele monte era diferente...mais gelado do que o comum e nunca ninguém havia chegado ao seu topo, porque o trajeto era tortuoso, confuso...
Mais uma prova de que os obstáculos a serem enfrentados seriam intensos e solicitavam coragem daquele jovem

Ele resolveu arriscar e tentar escalar ...
Assim ele foi.. subindo, dando cada passo de uma vez
Conquistando seu espaço... tudo era tão lindo, tão intenso, mas aquele monte realmente não era fácil
Era preciso de muita coragem, não foi demorado, mas foi cansativo...
Até que, passado dias de dedicação, ele conseguiu

Chegou aonde ninguém havia conseguido chegar: no topo.
Estava em plenitude
Havia conquistado seu espaço.

Porém, o topo daquele monte era frio
O vento cortava aquele rosto frágil e tão sincero
Não era fácil permanecer ali..
Exigia um pouco mais de esforço, mas ele já havia se esforçado tanto para chegar até ali
Aquele monte saberia reconhecer e o frio passaria, dando lugar a um novo horizonte
Mesmo assim, não foi possível... ele foi impaciente demais e resolveu que a aventura terminava ali

Com dor no coração, ele iniciou sua caminhada de volta
Cansara de ficar ali, no frio, esperando alguma recompensa
Descendo, com lágrimas nos olhos, mas era inútil...
"É inútil ficar ali, o frio no topo nunca vai passar..nada vai mudar" pensava enquanto a vontade de voltar lhe corroía o coração

O monte acompanhava aquela descida e não entendia...

O alpinista sumiu por uns tempos e, o monte, como já era esperado, colocou mais empecilhos até o topo...

O jovem não desistira, quase sempre aparecia pelas redondezas daquele monte.. não se sabe porque, mas ele tinha uma ligação forte demais .. O alpinista e o monte sabiam disso.

Como forma de se mostrar mais volúvel e aberto, o monte foi, novamente, tirando empecilhos,derretendo um pouco de gelo..
E o Sol voltava a estar por cima dele, dando um toque todo especial...

O alpinista percebendo a facilidade, pensou em voltar e tentar experimentar novamente aquela sensação única de estar no topo, estar acima dos outros, ir, pela segunda vez, aonde ninguém, sem ser ele mesmo, se atreveu a ir... mesmo que fosse uma única vez

Mas, ao olhar para lado, um pouco mais pra frente, percebeu que havia um outro monte tão bonito e tão atraente como aquele que estava contemplando há minutos atrás...
O alpinista deu uma volta, analisou e viu que chegar naquele topo era muito mais fácil...

O jovem, então, surpreende e faz a sua escolha.
Optou pela subida tão bela quanto, mas bem mais fácil.

O monte só ficou observado, ao longe, a nova fase de seu alpinista.




sexta-feira, 11 de junho de 2010

A mudança na face de um sorriso

Os textos dos meus amigos ainda não acabaram, acalmem-se, vem mais, bem mais por aí.
Mas senti a real necessidade de colocar aqui como eu me vejo hoje.
Invejinha do Evandro e da Ni

Pois bem.
Me vejo uma criança grande...
Alguém com ares de menina, mas que encorpa cada dia mais pensamentos de mulher

Uma menininha, como chamada por alguns.
Uma menininha que se fortalece com cada crepúsculo
Posso parecer frágil, uma boneca de vidro, alguém que sofre com muita facilidade
Mas eu não sou assim, não me vejo assim
Odeio quando me pintam como "a frágil" e que precisa ser protegida das coisas que eu quero viver e sentir...
Sinto que esse é o meu momento

Mas mergulhar de cabeça em algo, ser impulsiva, destemida e, principalmente, intensa não significa fragilidade. Tudo isso é consequencia de uma escolha, a partir do momento que se escolhe "dar a cara tapa", voce paga por isso, vezes sim, vezes não.

Já vivi coisa fulgás, já me fiz de cega quando era preciso enxergar, já lutei pouco por um amor, já me entreguei rápido demais, já me deixe envolver por coisas surreais ...

Depois disso tudo é, humanamente impossivel sair ilesa, da mesma forma.

Ao longo de dois anos passei por uma lapidação e, no ano passado e até mesmo nos dois primeiros meses desse ano, foi a lapidação crucial, o estágio final.

Ouvir dos outros que você mudou é uma coisa.
Agora, quando você nota essa mudança é a prova mais viva de que tudo está melhor.

Levo as coisas menos a sério, ando menos encucada, auto confiança é algo que não preciso mais me preocupar... enxergo as coisas diferentes hoje, inclusive os relacionamentos que tive.

O que me causou dor, hoje não passa de lembrança, memória de um aprendizado. Graças a Deus, tenho sido feliz.

Por favor, não pense que sou a perfeitinha. Longe disso. Apesar de todo esse crescimento continuo sendo transparente, impulsiva e, principalmente, ansiosa. Tá bom..um pouco carente de mais, as vezes.

Uma pena que algumas pessoas não acreditam nisso. Ia simplificar muito a minha vida. Pois, se isso acontecesse, sentidos, experiências, sentimentos, relações, momentos.. tudo ia ser reconstruído com muita calma, paciência, cautela, enfim... não depende de mim.

Ando com passos mais descompasados, pesamentos mais leves e um leve sorriso ingenuo no cantos dos lábios.

Devo isso a Deus, meus amigos (sempre presentes em todos os momentos) e aos aprendizados e sofrimentos.

Hoje, só estou tentando consertar alguns erros, viver de leve e ser feliz :)

Não existe uma linguagem que esteja à altura de traduzir o estado atual das coisas (Jean Baudrillard)








segunda-feira, 7 de junho de 2010

O encontro

Por Nicole Briones

Há três anos, conheci uma Cynthia nas cores do arco íris. Ela representava exatamente tudo o que eu evitava: um alarde.

Cynthia, aos 17 anos, chamava atenção pelas roupas coloridas, voz estridente, e aparições espalhafatosas. Essa era minha visão conturbada do que aquela garota representava, num momento em que eu fazia de tudo para ser invisível.

A Cynthia era meu oposto. Uma garota alegre e ávida. Até que um dia farejei dor ao me aproximar dela naquela praça da faculdade. Ela falava de um garoto que havia lhe partido o coração. Vi ali uma Nicole dos velhos tempos, decidi ajudar. E foi quando nos encontramos.

Ela me acolheu quando eu achei que era eu quem a ajudava. Ninguém queria estar por perto de uma pessoa tão amarga quanto eu estava, mas ela se dispôs. Ainda assim, era difícil caminhar com alguém que chamava tanta atenção. Eu me escondia, mas ela brilhava.

Até que a lagarta fechou-se no casulo, passou ali um tempo, e virou o que é hoje. Não digo que é borboleta, ela apenas cresceu, e muito. Potencial garantido para se tornar uma grande mulher.

Creio que sua maior virtude seja a compreensão. Posso dizer que ninguém respeita, entende, e é tão disposto quanto ela. Lealdade que valorizo muito, mesmo que os contratempos não me permitam demonstrar. Ela sabe.

Acompanhei todos os pequenos dramas da Cynthia desde então, sempre tentando lhe mostrar o quão ínfimos eram. Conviver com ela reserva boas surpresas. Às vezes, sinto que criei um monstro.

Ela toma forma agora, aberta, dando a cara à tapa sabendo que já não sente mais dor.